“Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”
INTEREPRETAR: A FÉ E O DISCERNIMENO VOCACIONAL
No primeiro artigo sobre o sínodo falamos sobre: a igreja à escuta da realidade
Terminamos a segunda parte do sínodo. Nesta semana aprofundamos o segundo capítulo
do Instrumentum Laboris com os temas: a bênção da juventude, a vocação à
luz da fé, o dinamismo do discernimento vocacional e a arte de acompanhar.
Tudo começou com as orientações metodológicas e síntese do Secretário Geral, Dom Lourenço
Baldisseri, e do Relator Geral, Cardeal Dom Sergio da Rocha.
Passamos para as prepositio e interventi liberi onde em
torno de cem participantes do sínodo fizeram uso da palavra. Dois dias completos na Congregação
Geral, na sala do sínodo.
Os três minutos de silêncio após cinco intervenções dos padres sinodais é novidade deste
sínodo, que tem sido muito elogiada, por permitir a prece, reflexão e síntese.
Depois, dois dias nos circoli minori (círculos menores). O tempo
maior de trabalho em grupos menores, depois de cada uma das partes, mais tempo para, com calma,
poder aprofundar melhor os diferentes temas a serem refletidos e propor acréscimos ou
mudanças.
Acentuou-se a bênção que a juventude é, na igreja e na sociedade, portadora de esperança, que
antecipa a novidade, as tendências.
Destacou-se a importância das figuras bíblicas jovens, mulheres e homens, e como instrumentos
de Deus na história do povo, num caminho de fé e discernimento.
Textos como os discípulos de Emaús, do filho da viúva de Naim, da samaritana, do “vinde
e vede”, do bom samaritano foram apresentados como luz para o discernimento e para o
próprio instrumentum laboris.
As vocações vistas como “vocations of being”, na dimensão do
ser, e “vocations of doing”, na dimensão do fazer surgiu de
grupos, em diferentes maneiras.
Pessoalmente, depois de ouvirmos tanto sobre a dor e o sofrimento da juventude em diferentes
partes do mundo, destaquei duas vocações na linha do fazer: A vocação para a solidariedade,
do cuidado com os pobres, com os drogados e os que buscam o suicídio, parafraseando Mateus 25,
31-46: “eu tive fome e deste de comer, estava na rua drogado e você me estendeu a mão,
estava no alto da ponte para me suicidar e você me chamou pelo nome…”. E
a vocação do cuidado da casa comum: os jovens tem uma grande sensibilidade ecológica, e,
eles e nós, somos chamados a viver a experiência da mística do “quanto menos tanto
mais”, numa vida de despojamento, contra o consumismo e o descarte, menos lixo, cuidado
com a Casa Comum (Laudato Si 209, 222 e 223).
Parte bonita é a que trata das qualidades do que acompanha os jovens em seu
discernimento vocacional, visto como a arte de acompanhar. As qualidades vêm das falas dos
jovens durante a reunião pré-sinodal, de março deste ano: buscar constantemente a santidade,
consciente de seus limites, escutar, não julgar… mas cuidar, responder com gentileza, ser
profundamente amoroso, caminhar juntos e deixar e deixar os jovens serem participantes ativos
desta viagem. Um guia que deve cultivar a semente da fé nos jovens. Estas entre tantas
outras.
Os padres sinodais do Brasil, dom Jaime, dom Gilson e dom Eduardo, já fizemos
nossas prepositio e também falas livres, com temáticas como vocação e
profissão, maturidade, o que a paróquia deve oferecer aos jovens, projeto de vida, formação
integral, opção preferencial pelos jovens, formação integral, afetividade e sexualidade,
experiências missionárias juvenis.
Foram apresentados 200 modos ao segundo capítulo do instrumentum
laboris, duzentas propostas aprovadas nos 14 grupos linguísticos.
Depois na plenária foram lidas as sínteses dos círculos menores.
Agora já estamos na terceira e última parte do sínodo. Assunto do próximo artigo.
Que o Espírito Santo continue a nos guiar e que deste sínodo saiam propostas concretas nesta
bela temática: os jovens a fé e o discernimento vocacional.
Rezemos pelo papa, pelo sínodo, pelos jovens.
Dom Vilsom Basso, SCJ
Bispo de Imperatriz – MA
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude
Fonte: CNBB