Campanha da Fraternidade convoca humanidade para a regeneração do planeta
IGREJA
Vatican News
“Com a Campanha da Fraternidade sobre Ecologia Integral, a Igreja Católica deseja cooperar para o despertar de muitos para a grandeza, a urgência e a beleza do desafio de cuidar da Casa Comum, o nosso planeta”. Com essa afirmação o Arcebispo de Porto Alegre e Presidente da CNBB, Dom Jaime Cardeal Spengler, lançou oficialmente a Campanha da Fraternidade/2025. O evento foi realizado na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, um lugar simbólico duramente atingido pelas enchentes de 2024, no Bairro Harmonia da cidade de Canoas.
Este local foi alagado e na sequência serviu de ponto de socorro à população afetada como centro de distribuição de alimentos, agasalhos, material de limpeza, móveis e eletrodomésticos para reequipar as residências atingidas e dar condições dignas de habitação para as famílias flageladas no retorno a suas residências.
Diante das mudanças climáticas e as frequentes crises ambientais, a Campanha pretende mobilizar a sociedade para a adoção de atitudes preservacionistas, projetos de regeneração ambiental em regiões atingidas por catástrofes climáticas, estímulo à reciclagem de resíduos, produção orgânica e ecológica, conhecimento dos biomas e ecossistemas e projetos econômicos sustentáveis de inclusão social.
Ecologia integral é um conceito que considera a interligação entre o ser humano, a natureza e a espiritualidade, numa abordagem que une as dimensões ambiental, social, cultural, econômica e espiritual. Este tema foi apresentado pelo Papa Francisco na Encíclica "Laudato Si". O documento propõe uma reflexão sobre a relação entre as criaturas do planeta e a necessidade de uma aliança entre sociedade, ciências e religiões para viabilizar a sustentabilidade ambiental.
Dom Jaime assinalou que para a ecologia integral, o meio ambiente é uma casa a ser cuidada, e não um recurso a ser explorado sem critério e sem preocupação com as futuras gerações. “Exige uma relação mais justa com a natureza e com os seus habitantes, superando a extrema desigualdade econômica e social”. O Arcebispo acrescentou que “mudamos a nossa relação com a terra e com os outros seres ou provocaremos com nossas atitudes individualistas um colapso planetário, cujas consequências são imprevisíveis cujos sinais já estamos experimentando”.
A inspiração para a Campanha da Fraternidade sobre o tema está no contexto da comemoração dos 10 Anos de lançamento da Encíclica Laudato Si, dos 800 Anos do Lançamento do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis e a COP30. Pela Primeira Vez na História uma cúpula mundial sobre o Meio Ambiente que acontece em Belêm/PA, no mês de novembro, será dentro do Bioma Amazônico profundamente ameaçado, que põe em risco o futuro do planeta.
Como resposta ao apelo para que toda a humanidade adote novas posturas pessoais, comunitárias e globais, diferentes religiões do Rio Grande do Sul aderiram ao convite lançado pela Igreja Católica. Líderes das confissões religiosas que integram o Fórum de Convivência Inter-religiosa do RS(CONVIR) participaram do ato de lançamento e apresentaram um manifesto conjunto no qual expressam o compromisso de realizar ações de sustentabilidade ambiental e cuidado com o planeta em suas comunidades de fé.
A manifestação afirma que “o desafio permanente das comunidades religiosas do Rio Grande do Sul é cuidar da casa, que se configura em várias expressões: a casa interior de cada um, a casa que habitamos como lugar da família, a casa onde nos ocupamos com o trabalho, a casa onde convivemos com as outras pessoas(cidade) e a casa comum do planeta”. E acrescenta: “Nesta compreensão, o CONVIR-RS tem a alegria de se associar à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e à Igreja Católica do Rio Grande do Sul neste propósito de defesa da ecologia integral e da promoção da sustentabilidade ambiental como missão de todas as religiões e de toda a humanidade”.
Os líderes religiosas afirmaram que a vivência da tragédia de 2024, nos ensinou que as mudanças climáticas são resultado de uma intervenção humana sem critérios adequados no meio ambiente. Ao mesmo tempo, demonstrou que a compaixão e a solidariedade são atitudes que emergem do espírito de fraternidade que está presente em cada ser humano. “O tempo que vivemos exige compaixão com toda a natureza. A nossa sobrevivência não pode custar a sobrevivência dos outros e das futuras gerações. SOMOS UM nesta missão de cuidar do futuro da humanidade e do planeta. O Compromisso com a Ecologia Integral e com Casa Comum é de todos nós!”
O Compromisso conjunto foi apresentado pelos representantes da comunidade israelita, da Federação Espírita, da Igreja Episcopal Anglicana e do Centro Africano Xangô de Ogodô representante as comunidades religiosas de matriz Africana. Ao final da cerimônia, o Cardeal Spengler e os líderes religiosos plantaram uma muda de árvore frutífera, expressando o compromisso de regenerar a natureza devastada pelas catástrofes climáticas.
Colaboração: Elton Bozzetto – RP 10417
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Fonte: Vatican News