Catequese. 6. Esperar é escolher. Clara de Assis
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e boas-vindas a todos!
No texto bíblico que acabou de ser lido (Lc 16, 13-14), o Evangelista observa que algumas pessoas, depois de terem escutado Jesus, zombavam dele. O seu discurso sobre a pobreza parecia-lhes absurdo. Mais precisamente, sentiam-se tocados profundamente pelo próprio apego ao dinheiro.
Prezados amigos, viestes como peregrinos de esperança, e o Jubileu é um tempo de esperança concreta, no qual o nosso coração pode encontrar perdão e misericórdia, a fim de que tudo possa recomeçar de modo novo. O Jubileu abre também à esperança de uma diferente distribuição da riqueza, da possibilidade de que a terra seja de todos, porque na realidade não é assim. Neste ano, devemos escolher a quem servir, se a justiça ou a injustiça, se a Deus ou o dinheiro.
Esperar significa escolher. Isto quer dizer pelo menos duas coisas. A mais evidente é que o mundo muda, se nós mudarmos. É por isso que se faz a peregrinação, é uma escolha. Atravessa-se a Porta Santa para entrar num novo tempo. O segundo significado é mais profundo e delicado: esperar significa escolher, pois quem não escolhe desespera. Uma das consequências mais comuns da tristeza espiritual, ou seja, da acédia, é não escolher nada. Então, quem a experimenta é levado por uma preguiça interior que é pior do que a morte. Esperar, pelo contrário, significa escolher!
Hoje gostaria de recordar uma mulher que, com a graça de Deus, soube escolher. Uma jovem corajosa que foi contra a corrente: Clara de Assis. E sinto-me feliz por falar dela precisamente no dia da festa de São Francisco. Sabemos que Francisco, escolhendo a pobreza evangélica, teve que romper com a própria família. Mas era um homem: houve o escândalo, mas foi menor. A escolha de Clara foi ainda mais impressionante: uma jovem que queria ser como Francisco, que queria viver como mulher, livre como aqueles irmãos!
Clara compreendeu a exigência do Evangelho. Mas até numa cidade que se crê cristã, o Evangelho levado a sério pode parecer uma revolução. Hoje como naquela época, é preciso escolher! Clara escolheu, e isto dá-nos uma grande esperança. Na realidade, vemos duas consequências da sua coragem de seguir aquele desejo: a primeira é que muitas outras jovens daquele território encontraram a mesma coragem e escolheram a pobreza de Jesus, a vida das bem-aventuranças; a segunda consequência é que aquela escolha não foi como um fogo de palha, mas prolonga-se no tempo, até nós. A escolha de Clara inspirou opções vocacionais no mundo inteiro e continua a fazê-lo até aos dias de hoje.
Jesus diz: não se pode servir a dois senhores. Assim, a Igreja é jovem e atrai os jovens. Clara de Assis lembra-nos que os jovens gostam do Evangelho. E continua a ser assim: os jovens gostam das pessoas que escolheram e aceitam as consequências das próprias escolhas. E isto leva outros a desejar escolher. Trata-se de uma santa imitação: as pessoas não se tornam “fotocópias”, mas cada qual - quando opta pelo Evangelho - escolhe-se a si mesmo. Perde-se a si próprio e encontra-se a si mesmo. É a experiência que o demonstra: é assim que acontece!
Portanto, oremos pelos jovens; e rezemos para ser uma Igreja que não serve o dinheiro nem a si mesma, mas o Reino de Deus e a sua justiça. Uma Igreja que, como Santa Clara de Assis, tem a coragem de habitar a cidade de maneira diferente. Isto infunde esperança!