Devoção à padroeira do Estado marca história de paróquia em Cachoeiro de Itapemirim
Na semana em que o Espírito Santo celebra o tradicional oitavário da Festa da Penha — uma das maiores manifestações de fé do Brasil —, a história da Paróquia Nossa Senhora da Penha, em Cachoeiro de Itapemirim, revela como a devoção à padroeira do Estado também se enraizou no sul capixaba, especialmente entre as comunidades dos bairros BNH, IBC, Aeroporto e regiões vizinhas.
A origem da paróquia remonta a 1977, quando o então bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Gonzaga Peluso, percebeu a necessidade de criar uma nova estrutura pastoral para atender ao crescente número de famílias que se estabeleciam na região. O acelerado desenvolvimento urbano exigia uma presença mais próxima da Igreja, capaz de acompanhar a vida religiosa e comunitária da população.
Fé que nasceu nas casas e nas ruas
Antes mesmo da construção de um templo, a comunidade começou a se organizar. Nos primeiros anos, missas e encontros de oração aconteciam nas casas das famílias e até nas ruas dos bairros. Esse período foi marcado por forte espírito de comunhão entre os fiéis, que assumiram juntos a missão de formar uma nova comunidade de fé.
A busca por um terreno para a construção da igreja mobilizou lideranças locais. Uma comissão formada por Camilo Cola, Edmar Mendes Baião, Monsenhor Dalton Penedo e Waldemar Mendes trabalhou na identificação da área necessária. Inicialmente, foi localizado um terreno de cerca de 2.600 m², ao qual se somaram mais 7.400 m² doados por Camilo Cola à Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.
Posteriormente, surgiu a oportunidade de um novo terreno, com aproximadamente 4.000 m², localizado em uma área mais residencial. A doação foi viabilizada com apoio do conselheiro Camilo Cola e do então prefeito Theodorico de Assis Ferraço. Foi nesse espaço que se ergueu a atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha.
Construção marcada pela união da comunidade
A pedra fundamental da igreja foi lançada em outubro de 1979. A construção teve início com a Construtora Compasso S.A., mas as obras enfrentaram dificuldades financeiras. Para garantir a continuidade do projeto, a comunidade criou uma Comissão Administrativa Comunitária, formada por diversas lideranças leigas que assumiram a responsabilidade de organizar e sustentar a obra.
Mesmo antes da conclusão do templo, a paróquia foi oficialmente criada em 5 de fevereiro de 1981, por decreto de Dom Luiz Gonzaga Peluso. A nova paróquia foi desmembrada das paróquias São Pedro Apóstolo e Nossa Senhora da Consolação.
Poucos meses depois, em 14 de junho de 1981, tomou posse o primeiro pároco, Cônego Jefferson Luiz Magalhães, dando início à organização pastoral da nova comunidade.
Inauguração e crescimento da vida pastoral
A inauguração solene da igreja matriz aconteceu em 17 de agosto de 1986, em celebração presidida pelo bispo diocesano Dom Luiz Mancilha Vilela, com a presença de Dom Luiz Gonzaga Peluso e diversos sacerdotes da diocese. A festa contou ainda com apresentações musicais e um almoço comunitário que reuniu centenas de fiéis.
Ao longo dos anos, a paróquia cresceu não apenas estruturalmente, mas também na vida pastoral. Movimentos como o Encontro de Casais com Cristo (ECC), Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC), Renovação Carismática Católica e diversas pastorais passaram a integrar a caminhada da comunidade.
A presença de congregações religiosas, especialmente as Irmãs de Jesus na Eucaristia, também marcou profundamente a história da paróquia, contribuindo para a catequese, a formação pastoral e o acompanhamento das comunidades.
Uma paróquia que continua sendo referência
Com décadas de atuação missionária, a Paróquia Nossa Senhora da Penha consolidou-se como uma referência de evangelização e organização comunitária na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Sua história, construída pela dedicação de sacerdotes, religiosas e leigos, permanece viva na fé das comunidades que continuam a celebrar a Virgem da Penha como Virgem das Alegrias e sinal de esperança para o povo capixaba.
Fotos

Reportagem colaborativa com Gustavo Lins (Pascom Diocesana de Cachoeiro de Itapemirim)
Fonte: Diocese de Cachoeiro