• 16 de Abril de 2026

Prior Geral dos Agostinianos Recoletos realiza visita de renovação à Diocese de Cachoeiro

Prior Geral dos Agostinianos Recoletos realiza visita de renovação à Diocese de Cachoeiro

Em visita ao Brasil, o Prior Geral da Ordem dos Agostinianos Recoletos, Miguel Ángel Hernández, detalhou o papel de liderança que exerce na congregação e apresentou um panorama da atuação da ordem na diocese, no país e no mundo. A agenda faz parte das chamadas “visitas de renovação”, previstas no mandato de seis anos do superior geral.

À reportagem, Hernández explicou que o prior geral atua como moderador da ordem e principal responsável por promover a unidade entre os religiosos. “Os dicastérios vaticanos se dirigem a mim como moderador da ordem. Mas, mais do que isso, eu tenho que ser um referente de unidade, ajudando a viver a comunhão entre todos”, afirmou.

Ele ressaltou que sua missão está diretamente ligada à execução do chamado Projeto de Vida e Missão, elaborado durante o capítulo geral — encontro que reúne representantes da ordem por cerca de três semanas. “Nesse período, fazemos uma avaliação do sexênio anterior, refletimos sobre os desafios da sociedade, da Igreja e do mundo, e elaboramos um plano com diversas áreas: educação, paróquias, missões, espiritualidade e vida comunitária”, explicou.

Segundo o prior, o principal desafio é garantir que esse planejamento se concretize na prática. “Minha missão, junto com o conselho geral, é fazer com que o projeto não fique em palavras bonitas, mas que seja vivido em todas as comunidades ao longo dos seis anos”, destacou.

Eleito em 2022 para um mandato que se estende até 2028, Hernández explicou que, nesse período, deve visitar todas as casas da ordem ao redor do mundo, pessoalmente ou por meio de delegação. Essas visitas têm caráter pastoral e administrativo.

“O objetivo é triplo: conhecer, animar e corrigir. Conhecer os freis, a realidade das comunidades, o trabalho pastoral. Animar, incentivar a caminhada. E corrigir, quando necessário, sempre de forma fraterna, como um pai que acompanha seus religiosos”, afirmou.

Além das visitas obrigatórias, o prior também participa de eventos pontuais considerados relevantes para a ordem. Um exemplo recente foi a viagem a Buenos Aires, onde participou do encerramento das celebrações do centenário da presença dos agostinianos recoletos na Argentina. “São ocasiões que convidam o prior geral a se fazer presente”, disse.

Durante sua passagem pela Diocese de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Hernández destacou a intensidade e a organização da vida pastoral. Para ele, a realidade local chama atenção pelo dinamismo e pela forte atuação dos leigos.

“É uma realidade muito interessante. Há uma imensidão de trabalho pastoral, com muitas comunidades, tanto urbanas quanto rurais, muito bem organizadas e com grande protagonismo dos leigos”, avaliou.

Nas paróquias administradas pelos agostinianos recoletos, ele destacou especialmente a busca dos fiéis por acompanhamento espiritual. “Há filas constantes para confissão e orientação espiritual. Os freis relatam que atendem entre 40 e 70 pessoas por dia, e esse número aumenta significativamente em períodos como a Quaresma e o Advento”, relatou.

O prior também comentou sua experiência em eventos tradicionais da região, como a celebração de Corpus Christi no município de Castelo (ES). Ele afirmou já ter participado da celebração e acompanhado a procissão com o Santíssimo Sacramento.

“Não só conheço como tive o privilégio de acompanhar a custódia. É um evento grandioso, que mobiliza toda a comunidade e expressa fortemente a fé do povo”, recordou.

Natural da região de Madri, na Espanha, Hernández possui uma trajetória marcada pela forte ligação com o Brasil. Após sua ordenação sacerdotal, foi enviado ao país, onde permaneceu por 16 anos. Posteriormente, retornou à Espanha por 12 anos e, mais tarde, voltou ao Brasil por mais quatro anos como prior provincial.

Ao todo, o religioso soma cerca de duas décadas de vivência no país, o que explica sua fluência em português. Atualmente, ele reside em Roma, onde está localizada a cúria geral da ordem.

Apesar disso, destaca que o idioma mais utilizado no governo da congregação é o espanhol. “A maioria dos conselheiros é latino-americana — México, Guatemala, Panamá, Colômbia, Venezuela — e também há espanhóis. Falamos principalmente espanhol. Entendo italiano, mas não utilizo tanto, porque passo pouco tempo na Itália”, explicou.

Ao abordar a presença global dos agostinianos recoletos, Hernández reconheceu que ainda há desafios, especialmente em regiões onde o cristianismo cresce rapidamente, como a África.

“Atualmente, nossa presença é simbólica. Temos duas comunidades masculinas em Serra Leoa, ligadas à província das Filipinas, e duas comunidades femininas de monjas de clausura no Quênia”, detalhou.

Segundo ele, a expansão missionária segue sendo uma preocupação constante da ordem, especialmente diante das novas demandas da Igreja em diferentes continentes.

A visita ao Brasil integra um esforço mais amplo de acompanhamento das comunidades e de fortalecimento da identidade da ordem. Para Hernández, o momento exige atenção às mudanças sociais e eclesiais, sem perder de vista os fundamentos da vida religiosa.

“Precisamos responder às novidades do mundo e da Igreja, mas sempre mantendo o essencial da nossa vocação. A unidade, a comunhão e a fidelidade ao nosso carisma são fundamentais”, concluiu.

A agenda do prior geral no país segue com encontros, visitas e celebrações, reforçando o vínculo entre a liderança da ordem e as comunidades locais.

Fonte: Diocese de Cachoeiro

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