• 23 de Abril de 2026

Governantes devem ser compassivos com a classe mais sofrida

Governantes devem ser compassivos com a classe mais sofrida

Quem não passa por grandes dificuldades na vida? Mas isso, segundo o arcebispo de Uberaba,

dom Paulo Mendes Peixoto não pode ser causador de desânimo, de abatimento e de perda de

esperança. “Não existe na caminhada da história alguém que só tenha experimentado zona de

facilidades. Não importa o tipo de classe social e econômica vivida pela pessoa. O importante é

a capacidade de resistência e de enfrentamento nos momentos decisivos”, disse.

Em seu artigo intitulado “Resistência nas dificuldades”, o bispo afirma que temos

inúmeros exemplos de resistência. São de acordo com ele, pessoas decididas que encaram os

problemas como fazendo parte do contexto da vida. “Suas atitudes são motivadoras para

muita gente. Assim agiu Jesus no caminho da cruz, mesmo dizendo, ‘Pai, afasta de mim este

cálice’ (cf. Lc 22,42), mas assumiu e resistiu com coragem sua missão, sabendo que seu fim

seria a morte cruenta e sofredora na cruz”, afirma o bispo.

Da mesma forma, dom Paulo diz que podemos falar do momento brasileiro. O fato, de acordo com

ele, de existir infidelidade da parte dos políticos não significa que os cidadãos devem ter

atitudes de ostracismo e descompromisso com o momento eleitoral. “O eleitor precisa ser

resistente e ter coragem de cobrar nos momentos certos. A responsabilidade é muito grande,

porque está em jogo a vida da população brasileira”, diz.

Segundo dom Paulo, os partidos políticos apresentam propostas, às vezes até importantes para

o país, mas correm o perigo de tudo ficar apenas no papel e sem empenho e esforço para sua

execução. Para o bispo não é suficiente votar em determinados candidatos para conduzir o destino

da Nação. “Eles devem ser cobrados na prática da transparência e do trabalho por um Brasil

que seja realmente pátria de todos os cidadãos”, declara.

Dom Paulo afirma ainda que estamos em um momento de disputa de poder. De acordo com ele,

entre os discípulos de Jesus também foi assim. “É o que fizeram dois irmãos na disputa

para ocupar os primeiros lugares ao lado do Mestre (cf. Mc 10,35-37). Mas poder para Jesus

significa serviço. É justamente o que a população brasileira espera dos eleitos, sendo

resistentes na realização do bem e de uma cultura de paz”, reitera.

A expectativa, segundo o bispo é a de que os novos governantes sejam compassivos com a classe

mais sofrida, superem a prática da corrupção e criem oportunidades para que as pessoas encontrem

seu caminho de construção de vida feliz. “Mesmo sabendo que não há salvador da pátria, mas

há condição da construção de um mundo diferente, mais humano, menos violento e marcado pela

prática da fraternidade”, finaliza dom Paulo.

Fonte: CNBB

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