• 3 de Abril de 2025

Com licença, obrigado, desculpa: palavras de esperança do Papa

Papa Francisco encontra duas famílias de refugiados durante a sua viagem apostólica na Bélgica (foto de arquivo) Papa Francisco encontra duas famílias de refugiados durante a sua viagem apostólica na Bélgica (foto de arquivo) (Vatican Media)

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Rui Saraiva – Portugal

Na sua saída do Policlínico Agostino Gemelli, no domingo 23 de março em Roma, foram bem visíveis as dificuldades respiratórias e de articulação de palavras do Papa Francisco.

Após um período de hospitalização de mais de um mês, no qual o Santo Padre esteve em risco de vida, segue-se agora um longo período de convalescença de dois meses no Vaticano.

Uma etapa ainda sem a presença do Papa, mas talvez um tempo favorável para recordar as palavras de Francisco, que nos ajudam a ler o seu pontificado. Palavras de esperança do Papa.

Pedir licença, agradecer e pedir desculpa

Foi numa catequese para milhares de fiéis que enchiam a Praça de S. Pedro que o Papa Francisco assinalou as palavras com licença, obrigado e desculpa.

A primeira palavra, com licença, traz-nos à lembrança a saudação de Francisco na noite da sua eleição em março de 2013 quando disse “boa noite”, como que pedindo para entrar na nossa vida.

O caso que aqui recordamos, teve lugar na audiência geral de 13 de maio de 2015 na qual o Papa Francisco apresentava mais uma catequese do seu itinerário sobre a família, relembrando estas três palavras, já anteriormente desenvolvidas, mas que são essenciais para a vida de uma família: com licença, obrigado e desculpa.

Recordamos aqui a reportagem da Rádio Vaticano nessa manhã.

“A primeira palavra é “com licença?” Com ela estamos a pedir gentilmente aquilo a que julgamos ter direito: entrar na vida da nossa esposa ou esposo, requer a delicadeza dum comportamento não invasor. É a capacidade de esperar que o outro nos abra a porta do seu coração. “Eu estou à porta e bato”, diz o Senhor no Livro do Apocalipse, recordou o Papa que pediu para não nos esquecermos de que o Senhor pede autorização para entrar.

A segunda palavra é a palavra obrigado, que, segundo o Santo Padre, hoje caiu muito em desuso na sociedade, pois pensa-se que tudo nos é devido; a gentileza e a capacidade de agradecer são vistas como sinal de fraqueza, deixando-nos até suspeitosos e desconfiados. Mas uma pessoa que não sabe agradecer, esqueceu a linguagem de Deus. Sejamos intransigentes em educar para a gratidão: a dignidade da pessoa e a justiça social passam por aqui. “Recordemos a pergunta de Jesus quando curou dez leprosos e só um voltou para agradecer”, observou o Papa.

Por último, a palavra ‘desculpa’: uma palavra difícil e todavia tão necessária. Quando falta, pequenas fendas se alargam – mesmo sem querer – até se tornarem fossos profundos. Na casa, onde não se pede desculpa, começa a faltar o ar, referiu o Santo Padre que evidenciou o facto de que na vida matrimonial, muitas vezes discute-se, mas para tal o Papa deu um conselho: “nunca termineis o dia sem fazer a paz”, declarou o Papa.

Teto, terra e trabalho para um processo de mudança

Um outro exemplo são as palavras teto, terra e trabalho que foram sublinhadas pelo Papa Francisco durante o II Encontro Mundial dos Movimentos Populares a 9 de julho de 2015 na sua visita à Bolívia. Uma festa de etnias, cores, cantos, reencontros e, sobretudo, de reivindicações.

Os temas do encontro eram três: teto, terra e trabalho, palavras que o Papa considerou direitos sagrados do ser humano e com especial significado para os “descartados” e os “excluídos”.

Recordemos as palavras do Papa na ocasião naquele que foi um longo discurso, sempre muito aplaudido, no qual Francisco convocou os membros dos Movimentos Populares para o reconhecimento da necessidade de mudança, mas também para a ação concreta e decidida para aquilo a que o Santo Padre chamou de processo de mudança.

Aqui documentado na reportagem da Rádio Vaticano naquela tarde.

“Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?

Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante? Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.”

No seu discurso o Papa recolhe as suas profundas preocupações para com o recolhedor de papel, o catador de lixo, o artesão, o vendedor ambulante, o trabalhador irregular, a camponesa, o indígena, o pescador, o discriminado e o marginalizado.

Afirmando que os mais humildes e explorados podem fazer muito pelos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais, o Santo Padre, declarou-os como protagonistas e semeadores de mudança:

“Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem»”, disse Francisco.

O Papa Francisco está a cumprir a prescrição médica que lhe foi entregue para a sua convalescença no Vaticano, após um internamento de mais de cinco semanas. Continua a cumprir as sessões de fisioterapia respiratória e motora. Neste Tempo de Quaresma e de preparação para a Páscoa continuamos a rezar pela saúde do Santo Padre, aguardando a sua recuperação e assinalando o percurso empreendido pela Igreja durante o pontificado de Francisco. Com a sua bênção.

Laudetur Iesus Christus

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Fonte: Vatican News

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